Buscar

OSTEONECROSE DA CABEÇA FEMORAL - HORA DE PERDER A CABEÇA? - PARTE II

A ingestão de bebidas alcóolicas já foi implicada há quase um século na gênese da

necrose, mas o mecanismo pela qual ocorre também é desconhecido. Ademais, não há uma dose limite conhecida e, considerando o grande número de alcoolistas e a baixa ocorrência de ONCF, provavelmente haja mecanismos genéticos ou mesmo ambientais desconhecidos associados. Outra causa típica de ONCF são as discrasias sanguíneas, em que se destaque a Anemia Falciforme, doença em que a hemácia assume formato de foice ao sair da sua passagem regular pelo Baço em pacientes com essa enfermidade genética, tipicamente presente em indivíduos da raça negra. Nestes casos, a evolução da ONCF costuma ser mais rápida. Também outras doenças hematológicas estão implicadas na necrose, como policitemia vera ou mesmo hemofilia ou, ao contrário, outros estados de hipercoagulabilidade. Outras causas associadas documentadas são Doença de Gaucher (de origem genética, associada a distúrbios lipídicos), doença dos mergulhadores, SIDA/HIV ou o próprio Lúpus Eritematoso Sistêmico, de modo

independente do uso de corticoesteróides.


O Diagnóstico da ONCF é feito naturalmente pela história e exame físico associados a

exames de imagem complementares. Tipicamente no começo dos sintomas a Radiografia costuma ser normal, sendo crítica para o diagnóstico da doença a Ressonância Nuclear Magnética (RNM). Nestes casos chega a ser 99% sensível e específica para a Doença! No entanto, o seguimento da doença à medida que evolui e progride, costuma ser acompanhada pela radiografia. Alguns casos em que se suspeita de fratura do osso subcondral, a Tomografia Computadorizada também se mostrou útil. Que fique claro que nos casos mais avançados, em especial quando já há desabamento da estrutura óssea da cabeça femoral, torna-se desnecessária a RNM.




Referências:

A. Cohen-Rosenblum, Q. Cui Osteonecrosis of the Femoral Head .Orthop Clin N Am - (2018) -–-

https://doi.org/10.1016/j.ocl.2018.10.001.