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O COVID-19 e alterações neurológicas - PARTE II

O acometimento do sistema nervoso não foi completamente elucidado, mas postulam-se duas teorias. A forma direta ocorre com a transferência do vírus através do epitélio olfativo ou por terminais nervosos periféricos e a ruptura da barreira hematoencefálica, chegando ao cérebro. A forma indireta ocorre por lesão cerebral devido à falta de oxigênio (hipóxia) ou dano imunológico. A hipóxia pode ser ocasionada por pneumonia grave, que gera dilatação dos vasos e metabolismo na ausência do oxigênio (anaeróbio) com acúmulo de conteúdo tóxico – inchaço cerebral e seus consequentes danos. O dano imunológico é causado pela tempestade de citocinas pró-inflamatórias.



Com os dados relatados atualmente, fica evidente a maior frequência desse tipo de

acometimento no SARS-CoV-2 do que em outros coronavírus, bem como sua maior incidência em pacientes com a forma mais grave do COVID-19. Todavia, o espectro de sintomas neurológicos agudos e crônicos ainda não está totalmente definido. Nesta perspectiva, pacientes nesta pandemia devem ser precisamente avaliados quanto ao sistema nervoso, especialmente aqueles que apresentam sintomas olfativos iniciais e muitos estudos necessitam elucidar várias questões, dentre elas a relação entre o SARS-CoV-2 e alterações agudas graves, agravamento de doenças neurológicas pré-existentes e possibilidade de danos em longo prazo.



Referências:

De Brito WGF, da Silva JPDO. Impactos neuropatológicos do COVID-19. Brazilian Journal of Health Review. 2020.

Silva MR, da Costa FPR, Júnior LB, Moreira S, Galvão RG. Complicações Neurológicas do SARS-CoV-2. Brazilian Journal of Health Review. 2020