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COMO PODEMOS ENTENDER O QUE É DOR? - PARTE II


As dores crônicas não têm a finalidade biológica de alerta e sobrevivência e

podemos dizer que se constituem como verdadeiramente uma doença. Com relação ao aspecto temporal, as definições variam quanto sua conceituação, da duração de mais de três ou seis meses, ou as que persistem após a cura da lesão inicial.


Estudos mostram que aproximadamente 100 milhões de americanos sofrem

com dores crônicas, o que representam de 20 a 30% da população. É um número

alarmante e que gera, além de sofrimento individual, inúmeros gastos diretos (ex. gastos com tratamentos) e indiretos (ex. perda de produtividade) para sociedade como um todo.


Por exemplo, os EUA gastam mais de 600 bilhões de dólares por ano com

pacientes com dores crônicas, muito mais do que com diabetes ou doenças

cardiovasculares.


As dores lombares são as dores crônicas mais comuns na atualidade. Fruto da

mudança do estilo de vida, com aumento da obesidade e do sedentarismo, houve um

acréscimo na incidência de dores lombares crônicas de 4% para 10% nas últimas

décadas.


Pesquisadores concluíram que a dor lombar crônica é o problema de saúde que

mais causa incapacidade no ser humano.


As dores de cabeça e dores cervicais também são bastante frequentes e a

postura inadequada adotada nos últimos anos com o uso de smathphones fatalmente

causará um aumento nos casos de cefaléias e cervicalgias.


Os pacientes oncológicos também representam um grande desafio no

tratamento álgico. Mais de 70% dos pacientes com câncer referem dores crônicas.

Destes, praticamente metade relatam dores de forte intensidade. Ainda vivemos um

momento onde as dores dos pacientes com câncer são subtratadas sendo que apenas

3% deles são encaminhados para especialistas em dor.


O tratamento das dores crônicas é realizado baseado na Escada Analgésica da

Dor proposta pela Organização Mundial de Saúde no final da década de 80. A escada

teve grande valia em legitimar em casos específicos o uso de opioides.


Segundo a Organização Mundial de Saúde devemos aumentar a potência dos

analgésicos à medida que a intensidade da dor do paciente aumenta. Porém, sabemos

que o uso de analgésicos é capaz de controlar pouco mais de 30% dos casos de dores

crônicas. Nos casos onde os medicamentos não sao suficientes, podemos e devemos

lançar mão dos procedimentos intervencionistas minimamente invasivos, não

cirúrgicos, para dor crônica.




Referências:

Fernando Holanda Vasconcelos1 , Gessi Carvalho de Araújo. Prevalência de dor crônica

no Brasil: estudo descritivo. Br J Pain. São Paulo, 2018 apr-jun;1(2):176-9