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Cicatrização e Feridas Crônicas

A cicatrização é um processo lento e complexo, que compreende várias fases: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelamento.

Na fase de hemostasia, as plaquetas são importantes formando um tampão para que estanque o sangramento. Posteriormente, na fase inflamatória, as células de defesa do organismo migram para a área lesionada e iniciam um processo de limpeza, removendo restos celulares, bactérias, corpos estranhos, etc. Após esta etapa, inicia-se uma fase de proliferação de células produtoras da nova matriz extracelular – os miofibroblastos e fibroblastos – aumentando em número sua quantidade para produzir esta nova matriz. Por fim, ocorre o remodelamento desta nova matriz extracelular e a morte destas células excedentes no local – ocorre a contração da ferida, formando a “crosta” e a mesma é cicatrizada. Todo este processo pode levar dias a meses para ocorrer de uma forma normal.


As feridas crônicas são caracterizadas pela ausência de cicatrização (ferida aberta) por pelo menos 3 meses. Esta ausência de cicatrização deve-se à diversos fatores, entre eles: prolongamento da fase inflamatória, ou algum defeito em algum dos processos naturais da cicatrização e problemas na circulação.


As causas das feridas crônicas são: origem vascular (venosa, arterial ou mista), úlceras por pressão, neuropáticas (diabetes), infectocontagiosas (leishmaniose, tuberculose), entre outras. A causa mais comum é a insuficiência venosa, atingindo cerca de 75% das úlceras crônicas. Além da pele outras estruturas podem ser atingidas, como é o caso de músculos, tendões, ossos, entre outros, tornando o tratamento ideal mais delicado e cuidadoso.


Atualmente, em medicina temos diversas ferramentas para cuidar desses desafios que boa parte da população mundial enfrenta. O tratamento deve ser baseado em tratar o paciente como um todo. Assim é fundamental cuidar da parte metabólica, como do sistema imunológico. Existem elementos em nosso organismo que auxiliar na sinalização e reparo tecidual. O uso de estratégias biológicas contendo fatores de crescimento como: TGF- BETA, PDFG, IGF1, VEGF, FGF, EGF podem representar uma abordagem bem interessante para tratamento de feridas crônicas.


Estes tratamentos visam amplificar a resposta natural do organismo, estimulando a produção de novos vasos, formação da matriz extracelular e por fim a cicatrização tecidual. É uma abordagem nova e com resultados promissores, que deve ser avaliada para tratamento das úlceras crônicas, levando sempre em consideração a etiologia da ferida, e fazendo a integração de outras especialidades médicas, avaliando o paciente como um todo, garantindo assim o reparo da lesão e a melhor qualidade de vida do paciente.


Por Dr. Icaro Gallo